Plantas de cobertura manejadas como verdadeiras culturas

beiçoPlantas de cobertura é o termo utilizado para espécies vegetais que antecedem a cultura principal e visam à produção de palhada para o sistema de plantio direto ou produção de biomassa vegetal, utilizada na conservação do solo no período de entressafra.

Existem diversas espécies que podem ser utilizadas como plantas de cobertura entre elas o milheto, aveia, nabo forrageiro, feijão guandu, feijão de porco, mucuna, azevém, Braquiária spp., Panicum maximum, sorgo, crotalárias, capim sudão, entre outras. A escolha da espécie depende de cada região, do regime hídrico, da temperatura, da estratégia de manejo adotada e da cultura principal que será implantada na safra.

Os benefícios alcançados pela adoção dessa prática englobam melhorias na parte química, física e biológica do solo, aumento da retenção de água no solo, diminuição do impacto das gotas da chuva diminuindo os efeitos da erosão, controle de algumas plantas daninhas na área, podem servir como táticas de controle de pragas e doenças (plantas não hospedeiras) refletindo dessa forma, quando bem manejadas, em aumento de produtividade para a cultura subsequente.

A propriedade que adota em seu sistema esse tipo de estratégia, ou seja, a adoção de alguma cultura de cobertura deve olhar como um investimento a longo prazo. Por isso, é importante ter em mente que se trata de uma cultura como outra qualquer, e assim, é necessário algum tipo de investimento para uma boa formação da cultura e não apenas “semear e esperar que todos os problemas se resolvam’’.

Um exemplo é quando se utiliza Crotalaria spectabilis para controle de nematóide de galha (Meloidogyne incógnita e Meloidogyne javanica), caso a crotalária não esteja com um stand uniforme na área e exista falha na semeadura ou qualquer outro problema em relação à germinação e emergência, a ocorrência de plantas daninha na área é inevitável, e caso não seja realizado nenhum tipo de controle, plantas daninhas como caruru, corda-de-viola, amendoim bravo podem servir como planta hospedeira desses nematóides, e o manejo não ser eficiente.

Adequar à época de semeadura para que a falta de água não seja um fator limitante, utilização de corretivos quando necessário (semeadura realizada em setembro), adubação, investimento em sementes de boa qualidade em relação à germinação, vigor e pureza, controle de pragas, doenças e plantas daninhas são fatores que aumentam a possibilidade de obtenção de grandes quantidades de material vegetal e possibilitem alcançar tais benefícios, entretanto, esse investimento em muitos casos não ocorre.

Por fim, é importante salientar que a preservação dos recursos naturais é a única maneira de manter a produção de alimentos de forma crescente, podendo ser alcançado através de tecnologia, informação, responsabilidade social e ambiental. Investir na melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas de um solo e preservá-lo é garantir boas produtividades agrícolas e garantir a manutenção de alimentos para as próximas gerações.

Rafael Magro Tomicioli

Eng. Agrônomo

rmagrotomicioli@gmail.com

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